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Há circuitos que fazem parte da história da Fórmula 1 e outros que acabam se tornando parte da identidade de um país. No fim de semana de 6 a 8 de novembro, o Brasil volta a receber a Fórmula 1, no Autódromo José Carlos Pace, em Interlagos, e vale a pena relembrar os marcos desse traçado.
Desde que recebeu seu primeiro Grande Prêmio válido pelo campeonato, em 1973, o circuito brasileiro foi palco de grandes momentos da Fórmula 1 e de corridas nas quais a chuva, a estratégia e as decisões tomadas em questão de segundos fizeram a diferença. Além disso, com o passar do tempo, foi testemunha de uma transformação muito menos visível: a tecnologia passou de ferramenta de apoio a peça central da competição.
A história começou com uma vitória local. Emerson Fittipaldi venceu a primeira corrida em Interlagos e voltou a repetir o feito em 1974. Um ano depois, Carlos Pace também venceu diante de seu público, em uma pista que acabaria levando seu nome. Desde então, o circuito foi protagonista de algumas das páginas mais lembradas da categoria. Em 1991, Ayrton Senna, um dos pilotos mais importantes da história, conquistou uma de suas vitórias mais emblemáticas no Brasil, depois de completar as últimas voltas com problemas na caixa de câmbio.
Quase 30 anos depois, em 2024, o tetracampeão Max Verstappen voltou a demonstrar que Interlagos pode proporcionar corridas inesperadas: largou da 17ª posição e venceu sob a chuva, com uma vantagem de 19,477 segundos sobre Esteban Ocon.
O fator climático: um velho conhecido nas curvas de Interlagos
Interlagos tem 4,309 quilômetros de extensão, 15 curvas e um desnível que acompanha boa parte de seu traçado. Além de suas subidas, descidas e outras características, há outro fator que pode mudar completamente o desenrolar da corrida: o clima. A chuva pode modificar rapidamente a aderência da pista, o comportamento dos pneus e as decisões estratégicas das equipes. Em questão de voltas, uma pista seca pode se transformar em um cenário completamente diferente.
O antecedente mais recente é o Grande Prêmio de 2024. A chuva mudou as condições durante a competição, houve interrupções e as decisões sobre quando entrar nos boxes foram vitais para o desfecho da corrida. Verstappen conseguiu avançar desde o fundo do grid e acabou conquistando uma vitória que parecia difícil de imaginar depois da classificação. E há mais um dado relacionado ao desenrolar da corrida sob chuvas torrenciais: a Alpine conquistou o 2º e o 3º lugares, algo que não acontecia desde 2013 (a Alpine, com sede em Enstone, anteriormente, era denominada Lotus).

IA, dados em tempo real e telemetria: a corrida que não se vê
A Fórmula 1 sempre foi uma competição contra o tempo. O que mudou radicalmente foi a quantidade de informações que existe por trás de cada volta e a velocidade com que essas informações podem se transformar em uma decisão. Durante uma corrida, as equipes combinam dados de telemetria, vídeo, pneus, posições, comportamento do carro e condições da pista por meio da IA. Essa tecnologia processa dados em tempo real para monitorar o desempenho de cada carro. Isso permite que as equipes tomem decisões à velocidade da luz, seja solicitando uma parada nos boxes ou ajustando as estratégias de corrida em tempo real.
A inteligência artificial também amplia a capacidade das equipes de antecipar cenários. Por meio de simulações e modelos digitais, elas podem recriar variáveis, como o desgaste dos pneus, o consumo de combustível ou o comportamento aerodinâmico, e avaliar diferentes alternativas antes e durante a corrida.
Nesse ponto, cada segundo importa
A empresa multinacional de tecnologia Globant trabalha junto à Fórmula 1 para disponibilizar essas informações mais rapidamente. Seu Team Content Delivery System (TCDS) permite que as dez equipes acessem e analisem vídeos e dados de maneira sincronizada, integrando mais de 30 canais de vídeo com diferentes fontes de áudio e dados de eventos.
Um dos principais desafios era reduzir o tempo entre o que acontece na pista e o momento em que essa informação pode ser utilizada. O TCDS permitiu reduzir a latência das conexões ao vivo de cerca de 9 segundos para menos de 5 segundos.
Durante a temporada de 2025, o sistema deu suporte a 24 eventos e mais de 7.500 horas de vídeo catalogado, permitindo que engenheiros e estrategistas revisassem incidentes, analisassem o comportamento dos pneus e trabalhassem com informações praticamente em tempo real.
“Este é um passo sólido em nossa parceria com a Fórmula 1® e mostra como a inovação pode criar valor e aprimorar as soluções no esporte tecnologicamente mais avançado do mundo. Estamos muito entusiasmados em continuar encantando milhões de fãs em todo o mundo por meio dessa colaboração. O Sistema de Entrega de Conteúdo das Equipes serve como um farol para qualquer competição de alto nível que desafie as equipes de corrida a se destacarem”, diz Diego Tártara, diretor global de tecnologia da Globant.
Ayrton Senna, um homem à frente de seu tempo
A evolução de Interlagos também pode ser contada por meio dos tempos. Em 1991, Senna conquistou uma vitória inesquecível em casa, em uma corrida que pôs à prova sua capacidade de se adaptar a um problema mecânico. Naquele momento, foi um problema na caixa de câmbio. Hoje, os pilotos continuam enfrentando desafios imprevisíveis, mas, por trás de cada carro, há equipes que analisam milhares de dados para ajudar a tomar decisões. Nesse cenário, contar com informações precisas e oportunas faz parte do trabalho das equipes para avaliar alternativas e reagir ao inesperado.
A inteligência artificial e o aprendizado de máquina acrescentam uma nova dimensão a esse processo. Ao processar grandes volumes de informações, essas tecnologias podem ajudar a identificar padrões, analisar o comportamento dos pneus, simular cenários e avaliar diferentes alternativas estratégicas.
O Brasil volta a receber a Fórmula 1 em uma temporada marcada também por uma nova geração de regulamentos técnicos e motores. O circuito voltará a oferecer as mesmas 15 curvas, seus 4,309 quilômetros de extensão e suas 71 voltas.
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