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Uma característica do Rally Dakar está sempre presente: o longo e difícil desafio é disputado no deserto, onde não há caminhos abertos ou qualquer tipo de sinalização que indique qual é a rota a seguir. E essa regra orientou os principais competidores que disputaram neste sábado (4) o primeiro dos 13 dias de corrida da famosa aventura, que realiza até 17 de janeiro sua 47ª edição, na Arábia Saudita. Um deles foi o brasileiro Lucas Moraes, que conta com a navegação do espanhol Armand Monleón no Toyota GR DKR Hilux da categoria Ultimate, considerada a Fórmula 1 da modalidade automobilística rally.
Sempre posicionado entre os dez primeiros ao longo deste sábado, Moraes assumiu a liderança na penúltima especial, por volta do km 300 dos 412km que compuseram o trecho cronometrado de hoje. O piloto, que é a principal revelação recente no cenário mundial, seguiu na liderança, provando o bom resultado dos meses de preparação prévia em 2024. Mas simplesmente parou o carro a um quilômetro da bandeirada final, esperou cinco minutos e só depois seguiu em frente, com o objetivo de não terminar em primeiro neste sábado.
“Fazer isso me deu até calafrios, porque a gente sabia que estava indo bem, num bom ritmo e estava em condições de brigar pela vitória hoje. Mas combinamos que se passássemos vários carros a gente pararia no final, antes de cruzar a chegada, pra dar um tempo e não terminar em primeiro. A estratégia foi determinada pela equipe e acho que foi o melhor pra esse momento, apesar de que como piloto a gente não gostar de fazer isso, de ceder a ponta ou uma boa posição. Mas faz parte do jogo no Dakar. O que importa é o resultado final no dia 17”, detalhou Lucas.
“Amanhã teremos o primeiro dos dois dias da etapa de 48 horas, ou seja, uma etapa disputada durante dois dias inteiros e que vai percorrer praticamente mil quilômetros. E quem larga na frente acaba tendo que descobrir sozinho por onde ir, só com a ajuda da planilha. Você se arrisca muito mais e isso não é bom no Dakar, especialmente em uma etapa de dois dias, por que aqui estamos no deserto, não tem estrada, é tudo via planilha e uma erradinha vai custar muito caro. Então, pensando na prova como um todo, é melhor largar mais atrás. Entre os 15 primeiros sempre é o ideal nessa situação. Então, a estratégia da equipe funcionou, nosso time está de parabéns por essa orientação”, comentou o brasileiro, que mesmo assim neste sábado terminou em sétimo – que será sua posição de largada amanhã.
