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O fim de semana do e-Prix de Londres, que iniciou nesta sexta-feira (14), marca o encerramento da carreira profissional do brasileiro Lucas Di Grassi. Aos 42 anos, completados em 11 de agosto, o piloto se despede das competições após quase três décadas no automobilismo e 12 temporadas disputadas no Campeonato Mundial de Fórmula E, além de um currículo de peso dentro e fora das pistas.
A relação de Di Grassi com a mobilidade elétrica e a sustentabilidade começou antes mesmo da estreia da Fórmula E, em 2014. Em 2002, aos 20 anos, o brasileiro criou o projeto Motorista Inteligente, voltado para ensinar motoristas a reduzir a poluição causada pelos seus veículos. Em 2016, foi um dos idealizadores (e também o piloto na aventura) de uma ação que levou um carro de Fórmula E à região do Ártico para chamar atenção para o derretimento da calota polar e as mudanças climáticas.
As iniciativas contribuíram para que Di Grassi fosse convidado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para atuar como embaixador da entidade na causa do combate à poluição do ar, função que exerceu durante sete anos. Ao longo do período, o brasileiro realizou palestras, campanhas e ações em todo o mundo voltadas para conscientização sobre degradação do meio ambiente.
Sempre muito interessado no desenvolvimento de novas tecnologias, enquanto competia Di Grassi mergulhou nesse universo, do qual hoje é um reconhecido porta-voz. Nessa trajetória, tornou-se detentor de quatro patentes industriais. Também foi CEO da Roborace, projeto inovador voltado ao desenvolvimento de carros de competição autônomos, cuja tecnologia tinha por finalidade acelerar a evolução dos carros de rua, tornando-os mais seguros para o cidadão comum.
Em julho de 2020, o brasileiro tornou-se coautor de um estudo científico sobre assinaturas neurocomportamentais na condução de carros de corrida, publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature. Novamente, o objetivo foi aprimorar a ciência por trás da mobilidade motorizada.
Naquele mesmo ano, Di Grassi criou o Zero Summit, evento que já foi sediado em Londres, Riad (Arábia Saudita) e São Paulo, reunindo ideias e tecnologias voltadas para um futuro com redução drástica das emissões de carbono. Ainda realizado anualmente, o evento terá sua próxima edição no 28 de agosto, na capital paulista.
Em 2025, Lucas liderou e financiou o projeto DGR-Lola, um carro de corrida de motorização elétrica e que mescla diversas tecnologias de ponta disponíveis no mercado mas não aproveitadas pelo automobilismo tradicional. Nas simulações realizadas na pista de Mônaco, o modelo foi 4,3 segundos e dez vezes mais eficiente do que a então última pole position da F-1 naquela pista, assinada por Lando Norris, para a McLaren. O objetivo é indicar o caminho para possíveis futuras evoluções utilizando tecnologias já viáveis, acelerando seu desenvolvimento e, novamente, aplicando-as aos carros usados por consumidores comuns.
O piloto que ajudou a construir a Fórmula E — O foco na tecnologia e o conhecimento técnico acumulados pelo brasileiro levaram Lucas a um capítulo especial de sua vida profissional. Di Grassi foi convidado pelo fundador do Mundial de Fórmula E, o espanhol Alejandro Agag, para aderir ao projeto quando ele ainda não passava de uma ideia colocada no papel. Contratado em 2012 por Agag, o piloto foi fundamental na criação do campeonato em um momento em que a incipiente empresa contava somente com o próprio empresário e seu primo, Alberto Longo – que mais tarde substituiria Alejandro na direção da competição. Lucas trabalhou no conceito da categoria, no regulamento e no desenvolvimento do primeiro carro. Até hoje, Agag não perde uma oportunidade de mostrar gratidão ao piloto brasileiro.
Di Grassi esteve no grid do primeiro ePrix da história, em Pequim, em 2014. E logo na estreia conquistou a vitória, tornando-se o primeiro vencedor da Fórmula E. Nas temporadas seguintes, o brasileiro permaneceu entre os protagonistas e foi vice-campeão em 2015/16.
O título mundial veio na temporada 2016/17. Depois de uma disputa ao longo do campeonato com Sébastien Buemi, que também se aposenta da categoria neste ano, Di Grassi chegou à última rodada, em Montreal, ainda na briga pelo título. O brasileiro assumiu a liderança após a primeira corrida e confirmou o campeonato com o sétimo lugar na prova final da rodada dupla.
Nos anos seguintes, Di Grassi continuou acumulando resultados importantes. Foi novamente vice-campeão em 2017/18 e terminou em terceiro em 2018/19. Em 2022, voltou a vencer na categoria, desta vez pela Venturi, em Londres. O piloto também passou pela Mahindra.
Em 2025, iniciou a parceria com a Lola Yamaha ABT, equipe para a qual conquistou, em 2026, a primeira vitória da história do time em uma corrida histórica, em que largou da última colocação. O triunfo no ePrix de Xangai também levou Di Grassi à marca de 14 vitórias na categoria.
No próximo final de semana, em Londres, o brasileiro terá pela frente as duas últimas corridas de sua carreira profissional. Di Grassi encerra seu ciclo no automobilismo justamente na Fórmula E, categoria na qual fincou suas raízes e ajudou a transformar a competição com carros elétricos em um campeonato de relevância mundial.
A programação do Eprix de Londres segue com o TL2, que abre o sábado às 4h30, seguido pela Classificação 1 às 6h40. A largada da Corrida 1 está marcada para 11h05 do mesmo dia. O domingo repete a programação, com o TL3 às 4h30, Classificação 2 às 6h40 e Corrida 2 às 11h05. A transmissão é da Band, Bandsports, Esporte na Band, NSports e Grande Prêmio.
Carreira de Lucas Di Grassi nas pistas
Temporadas na Fórmula E: 12 (2014-2016)
Vitórias na Fórmula E: 14 (a mais recente em Xangai, 2026)
Pódios na Fórmula E: 42
Participações na F-E: 163
Títulos mundiais na F-E: 1 (Campeonato 2016/17, com a Audi Sport)
Temporadas na Fórmula 1: 1 (2010, com a Virgin Racing)
Grandes Prêmios disputados na Fórmula 1: 18
Pódios nas 24 Horas de Le Mans: 3 (2013 - 3º, 2014 - 2º, 2016 - 3º)
Capacetes de Ouro: 11 premiações (9 de ouro, 1 de prata e 1 de bronze)
Texto
Ana Oliveira

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