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Quando o Campeonato Mundial de Fórmula E disputou sua primeira
corrida, no dia 13 de setembro de 2014, no Parque Olímpico de Pequim,
China, havia uma dúvida fundamental: a ainda incipiente tecnologia dos
monopostos elétricos, que obrigava os pilotos a utilizar dois carros
durante a prova pela pouca duração da bateria, deixava no ar a incerteza
do sucesso de um empreendimento tecnologicamente tão ousado para a
época. Passados doze anos, o campeonato não apenas se consolidou como
uma das competições mais sofisticadas e disputadas do mundo, como
movimentou e influenciou a indústria automobilística, atraiu centenas de
patrocinadores de âmbito global, além de reunir continuamente vários
dos melhores pilotos do mundo.
Nesse período de mais de uma
década, apenas um piloto foi ao mesmo tempo presença constante e
bem-sucedido na pista a ponto de se tornar sinônimo de competitividade e
da própria tecnologia elétrica, duas características fundamentais do
Mundial: o brasileiro Lucas Di Grassi. Nesta quinta-feira (30), o piloto
de 41 anos, anunciou que encerrará sua versátil carreira, que soma 32
anos de atividade em alto nível, desde sua estreia no kartismo, em 1994.
Mais que um piloto – Como
faz questão de frisar o espanhol Alejandro Agag, fundador do Mundial,
“Lucas não é apenas um piloto”. De fato, o brasileiro foi o segundo
parceiro de Agag na empreitada de construir um campeonato mundial com
tecnologia inédita e a partir de uma folha de papel em branco – o outro é
o também espanhol Alberto Longo, atual dirigente da F-E e também primo
de Agag. Consultor técnico, com um talento especial para trabalhar com
tecnologia, Lucas foi fundamental no desenvolvimento do carro e na
filosofia que transformou a categoria em um grande sucesso já a partir
das primeiras temporadas – fazendo dela um “case” único na história o
esporte.
Primeiro piloto a se comprometer com o campeonato
totalmente elétrico, Lucas desempenhou um papel fundamental no
desenvolvimento do protótipo original que foi usado como base do GEN1, o
primeiro carro da F-E. Naquela corrida de estreia, em Pequim, Di Grassi
sintomaticamente conquistou a primeira vitória da história da
categoria. Ainda hoje, aos 41 anos, o brasileiro se mantém competindo no
mesmo alto nível que o levou a ser top 3 nas cinco primeiras temporadas
consecutivas: foi campeão (2016/2017), duas vezes vice (2015/2016 e
2017/2018) e duas vezes terceiro colocado (2014/2015 e 2018/2019).




