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Mas também um texto sobre como virei torcedora dele em 2016 e a relação que isso tem com o país que ele escolheu representar no automobilismo
Por Carla Giampaoli
Max ingressou na Formula 1 pela equipe Toro Rosso, atual Racing Bulls, em 2015 aos 17 anos, tornando-se o piloto mais jovem a estrear na categoria. após uma temporada e 4 GPs, foi promovido para Red Bull substituindo Daniil Kvyat no meio do campeonato.
a jovem promessa da F1 e que a Red Bull apostara todas as suas fichas fez a sua estreia em maio de 2016 no GP da Espanha. e se era para deixar uma boa impressão já na primeira corrida pela equipe taurina, ele conseguiu e veio a ser o mais novo piloto a ganhar uma corrida. foi nesse momento que Max Verstappen começou a me chamar atenção, mas tiveram mais dois fatores determinantes: GP do Brasil 2016 em que ele deu show embaixo de uma chuva torrencial e por correr sob a bandeira da Holanda.
explico: 10 anos antes, em 2006, eu decidi colecionar o álbum da Copa do Mundo da Alemanha e o primeiro país que eu completei foi a Holanda e desde então, eu virei torcedora. só não imaginava que na F1 eu teria a chance de torcer para um piloto que escolheria essa nacionalidade (ao invés da bandeira da Bélgica, seu país de nascimento) justamente na equipe que eu já tinha torcida declarada há alguns anos.
bom, de lá pra cá foram 65 vitórias, 44 poles position, 117 pódios, 5 grand chelem (ou grand slam que é quando o piloto conquista a pole position, lidera a corrida de ponta a ponta e faz a volta mais rápida) e 4 campeonatos mundiais.
e pensar que até o início da temporada de 2019, ele nunca tinha conquistado uma pole position. esse feito só foi alcançado no GP da Hungria daquele ano. mas foi no GP do Brasil que ele venceu, pela primeira vez, uma corrida largando da pole e de alguma forma (intuição, talvez?) eu tinha certeza que isso aconteceria, ainda mais que no mesmo GP no ano anterior, ele liderava a prova e acabou perdendo após se enroscar com Esteban Ocon no S do Senna, onde 5 anos depois, Max assumiria a liderança em cima do francês e ainda dividiria pódio com ele.
mas a verdade é que torcer para Max Verstappen e Red Bull nesses anos não era um mar de rosas. era algo de uma vitória aqui, outra lá. não era frequente, tanto que isso me fazia não perder nenhuma corrida. imagina perder uma vitória dele. não perdi e ainda vivi in loco a primeira vitória dele em solo brasileiro em 2019. e em certos momento pairava os pensamentos “será que a Red Bull vai conseguir entregar para ele um carro que realmente seja bom?” ou “será que vou comemorar algum título dele com a Red Bull, como eu comemorei com Sebastian Vettel?”
A resposta veio na temporada de 2021, em que Max conquistou seu primeiro título pela a equipe taurina. isso só foi possível porque o holandês tinha um carro bom que o tornava competitivo e conseguisse ter um confronto de igual para igual com Lewis Hamilton e Mercedes, vindo a ser uma das principais rivalidades da F1 na atualidade. uma temporada empolgante, de tirar o fôlego e cansativa ao mesmo tempo. cheia de “e se”, de erros e de confusão como aconteceu no GP de Abu Dhabi, última corrida do ano em que Max e Lewis chegaram empatados, ou seja, quem vencesse era o campeão. um campeonato que deixou um gosto amargo que dura uns aninhos, tanto que até hoje, eu não assisti a última volta dessa corrida.
já a temporada de 2022 foi mais tranquila em relação a anterior. parecia que a batalha seria entre Max e Charles, recriando a rivalidade da época de kart que rendeu o famoso “just an inchident". mas não foi bem assim. o holandês venceu 15 das 22 corridas. o bicampeonato veio no GP do Japão depois de chuva, bandeira vermelha e uma punição de 5 segundos para Charles. foi uma madrugada longa que virou manhã e rendeu mais um título no meio do caos.
e aí veio a temporada 2023, amada por muitos e odiada por outros tantos. Max Verstappen e Red Bull não vieram para brincadeira. um ano com 22 corridas, sendo possível ouvir o hino da Holanda 19 vezes. Verstappen não apenas superou o seu próprio recorde de vitórias do ano anterior, como também fez a maior pontuação da história, 575 de 620 disponíveis, terminando a temporada com 290 pontos a mais que o vice Sergio Pérez, seu companheiro de equipe. além de superar a quantidade de vitórias seguidas que de 9 foi para 10, bateu o número de vitórias de Sebastian Vettel (54 X 53), tornando-se o terceiro maior vencedor da categoria ficando atrás apenas de Michael Schumacher e Lewis Hamilton.
e como nenhum título dele veio em uma corrida normal, o terceiro aconteceu na sprint race no GP do Qatar com 5 GPs de antecedência. é possível classificar que foi uma temporada impecável, que praticamente nada saiu dos eixos, com carro, piloto e equipe em um nível de entendimento absurdo. nem nos meus melhores sonhos eu imaginava ver isso acontecendo, mas mesmo tudo sendo perfeito, esse título fica em segundo no meu top 4 títulos de Max, porque ainda é muito mais incrível ganhar quando tudo começa a desandar e parece que não tem volta, como o do ano passado.
era março de 2024 e tudo indicava que seria mais um ano dominante de Max Verstappen, mas a Red Bull caiu de rendimento, outras equipes chegaram e 7 pilotos diferentes venceram pelo menos uma corrida. e para que o até então tricampeão continuasse no topo não foi fácil, principalmente com peças chaves saindo da equipe. Max teve que tirar muito leite de pedra de um carro que não rendia, ficando 10 corridas seguidas sem conseguir chegar ao lugar mais alto do pódio.
revertendo isso no caótico GP de São Paulo (em que a qualificação e a corrida aconteceram tudo no mesmo dia). largando de P17, após ter caído no Q2 por conta de uma bandeira vermelha + uma punição de 5 posições. e assim, ninguém quer sair do fundo do grid. ninguém comemora uma posição dessa, mas eu comemorei pelo motivo que eu ia ver ele de perto. ia ver toda a preparação dele e da equipe. era um momento único. e desse momento, surgiu o “EU VI O MAX”. uma grande loucura, só que nem eu, nem o Max e mais um tanto de gente não imaginava que a loucura ia ser maior ainda.
as luzes verdes se apagam. o Max já mete o carro no meio do pelotão (eu lembro de ter falado isso para o meu pai que estava ao meu lado) e o show debaixo de chuva começa. nas primeiras voltas foram sete carros. a cada ultrapassagem era um grito (agora imagina o tanto que eu gritei). na volta 11, ele já era o sexto. até que um cara que estava próximo a mim fala “se acontecer uma bandeira vermelha agora vai ser bom para o Max”. não deu um minuto e a bandeira vermelha veio. nesse momento, Max estava em segundo, ainda não tinha parado e tudo parecia conspirar a seu favor (ainda bem!).
a corrida foi reiniciada e era uma questão de tempo e controle do carro para que Max pudesse chegar em Esteban Ocon, líder da prova. algumas voltas depois, Max ultrapassou Esteban e abriu. a partir desse momento, o nervoso aumentava a cada volta. enquanto isso, Max fazia volta mais rápida atrás de volta mais rápida e Gianpiero Lambiase pedia para ele controlar, foram 17 voltas no total. (lembro de ter lido a transcrição do rádio entre eles em uma madrugada logo após a corrida e eu fiquei mais feliz)
aí da volta 60 a 69, como eu sobrevivi? não sei. faltavam 2 voltas e eu já estava chorando. a última volta parecia eterna. o coração estava prestes a pular da boca. Max passou. eu só sabia berrar e chorar (a sorte é que registraram esse momento). saiu um peso do meu corpo do mesmo jeito que deve ter saído do do Max, em um dia que começou de um jeito e terminou muito melhor do que o esperado.
e no começo da temporada de 2024, eu tinha feito um pedido para que o Max fosse campeão aqui. ele foi campeão na noite fria de Las Vegas, mas aqui foi o lugar que ele mostrou o porquê ele seria tetra. o maior ganho de posições do ano e todas as ultrapassagens feitas sem DRS.
ao todo foram 8 poles e 9 vitórias. algumas fáceis. algumas difíceis. mas a cara de Max Verstappen que não deixa de lutar.
já esse ano não está a mil maravilhas. ter conseguido 4 poles e 2 vitórias foi um grande feito com um carro que não é mais o dominante. mas é aí que entra o mérito do piloto. o carro na sexta-feira é praticamente inguiável. no sábado melhora e Max tira uma pole na última volta, como aconteceu em Suzuka e em Silverstone. bom, em Suzuka veio a quarta vitória (22 - 23 - 24 - 25) e em Imola, a vitória veio graças a ultrapassagem no início da corrida em cima de Oscar Piastri. já nos demais domingos, a história não está sendo a que eu queria, a que Max e a equipe queriam, a que a torcida queria, mas é o que está sendo possível depois de brilhantes temporadas.
e torcer para o Max desde a sua chegada na Red Bull é saber perder. é saber saborear uma vitória inesperada. é saber vibrar com uma pole disputada. é saber comemorar título. é saber torcer no bom e no mau momento. é como uma grande e deliciosa montanha-russa (e olha que nem sou fã de montanha-russa).
Obs: do primeiro título de Verstappen em Abu Dhabi até o último em Las Vegas foram 1077 dias batendo 1078 dias do primeiro título de Sebastian Vettel em Abu Dhabi 2010 até o tetra na Índia em 2013.
*Esta coluna teve a participação da jornalista Carla Giampaoli
Fonte: https://docs.google.com/
Sobre o autor:
Eduardo Farah, proprietário da Antiquebug Autoparts, empresa especializada em restauração e compra e venda de peças e veículos da linha Vw clássica com ênfase em originalidade. Atua desde 2005 no ramo, e além de sua empresa, trabalhou como piloto de testes para o site Racionauto, ama raposas e é apaixonado por esporte à motor e por seu trabalho em iguais proporções. contatos: @eduardommfarah / ilhadasraposas@gmail.com / 19-997506483



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