segunda-feira, 2 de junho de 2025

O papel cada vez mais imprescindível da tecnologia no esporte: a lição da Fórmula 1 para 2025

 

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No início deste século, o matemático e graduado de Harvard, Paul DePodesta, marcou um ponto de inflexão na história do esporte. Como assessor da equipe técnica dos Oakland Athletics, ele desenvolveu um índice para avaliar possíveis contratações e usou a análise de dados para reduzir a diferença entre sua equipe e os clubes de maior orçamento. Seu índice considerava estatísticas individuais, como velocidade, habilidade para bater, força no braço, resistência mental e reflexos. Os olheiros de outros times riram de seu modelo pouco convencional, mas anos depois todos começaram a implementá-lo após uma temporada bem-sucedida do Oakland. Já ouviu falar sobre essa história? Provavelmente, deve tê-la visto em Moneyball, o filme estrelado por Brad Pitt.

Desde então, ninguém duvida de que a análise de dados impacta diretamente no desempenho esportivo. Em 2015, o físico teórico Ian Graham recomendou à diretoria do Liverpool Football Club contratar Jürgen Klopp, um treinador pouco conhecido na época, vindo do Borussia Dortmund. Essa recomendação não se baseou em assistir a jogos, mas sim em um modelo matemático computacional que analisava passes, chutes e recuperações de equipes nas principais ligas da Europa.

Klopp assinou com o clube inglês e continuou confiando nos dados. A equipe de Graham foi ampliada para incluir um astrofísico, um ex-campeão de xadrez com pós-graduação em matemática e um doutor em física de altas energias. Ao contrário dos Oakland Athletics, o Liverpool conseguiu ser campeão: ganhou o torneio mais prestigiado da Europa e permaneceu no topo por anos.

Mas quando falamos de avanços tecnológicos no esporte, o aspecto mais revolucionário é sua aplicação em tempo real. Com múltiplos sensores, os atletas de elite agora têm análises detalhadas de seu desempenho. Para quê? Para melhorar seu rendimento e proteger sua saúde. O exemplo mais claro é a capacidade de monitorar a intensidade, a velocidade e a frequência cardíaca, que, quando analisadas de maneira comparativa, ajudam a antecipar a fadiga ou lesões musculares. Algumas equipes aproveitam essa tecnologia para fazer substituições durante os jogos, algo que já é aplicado no basquete, no rugby e no futebol.

A temporada de 2025 da Fórmula 1, o esporte mais tecnológico do mundo, já começou. As inovações nesta competição influenciaram a indústria automobilística, a experiência dos fãs e o uso de dados em tempo real. Em um esporte no qual cada segundo conta, as estratégias dependem de milhares de sensores no carro para entender seu desempenho.

São muitos os casos de pilotos brasileiros que desafiaram os limites na disciplina. Ayrton Senna, Nelson Piquet, Emerson Fittipaldi, Felipe Massa e Rubens Barrichello foram alguns dos mais icônicos. Hoje é a vez de Gabriel Bortoleto, que – sem a trajetória dos mencionados – terá acesso à tecnologia de ponta para potencializar seu desempenho na escuderia Sauber.

Este ano, por exemplo, a competição conta com uma das inovações mais preponderantes para o sucesso das escuderias, que é o Team Content Delivery System. Esse programa utiliza tecnologia de ponta para permitir que as equipes nos boxes tomem decisões em tempo real com dados, vídeos e múltiplas câmeras, oferecendo um nível de análise sem precedentes. O sistema permitirá o estudo detalhado do que acontece com cada piloto em uma seção específica da pista. As equipes precisarão aprender a maximizar essa ferramenta e aproveitar a informação. Para os espectadores, será mais um elemento para prestar atenção.

Para se ter ideia, uma estratégia que começou a ser utilizada de forma consistente, há mais de 30 anos, por Ayrton Senna e logo foi adotada por outros esportistas da modalidade, é a prática de treinamento físico focada em alto rendimento e a inclusão de conhecimentos de nutrição, análise dos adversários e até de preparação psicológica. Em 2025, tudo isso já está incorporado na rotina dos atletas e a Fórmula 1 dobra a aposta oferecendo tecnologia de ponta como mais uma ferramenta para as equipes de competição.

Isso não é apenas mais um avanço, como os iniciados por Paul DePodesta ou Ian Graham; é uma mudança de paradigma, por meio da qual a própria organização fornece a tecnologia como ponto de partida para que os atletas alcancem seus melhores resultados. Os dados já não são um privilégio de alguns poucos pioneiros, agora estão ao alcance de todos. O desafio é como aproveitá-los.

Além da paixão e da adrenalina, este ano a Fórmula 1 também nos deixará uma lição valiosa, aplicável a qualquer área da vida: em um mundo cheio de dados, a verdadeira vantagem está com aqueles que sabem interpretá-los e agir de acordo. Assim como em uma corrida, as decisões devem ser tomadas no momento.

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